Segurança é imitação


Duas coisas que não se discutem: que somos seres sociais e que aprendemos por imitação.

As experiências de Bandura e Ross em 1961 demostram como crianças imitam adultos.

Nesse experimento, as crianças foram divididas em dois grupos. Uma via adultos socando um “João-Bobo” e o outro via adultos acariciando. Ao serem deixadas sozinhas com o João-Bobo, elas socavam ou acariciavam o boneco.

Somos cercados de pessoas que são, para nos, modelos. Pais, irmãos, a professora na escola, o apresentador de televisão, tias, primos, amigas, vizinhos. A criança copia o comportamento desses indivíduos, em maior ou menor intensidade - conforme seu grau de identidade com o modelo - e codifica assim seu comportamento.

Num segundo momento, as pessoas ao redor dessa criança vão responder ao seu

comportamento, reforçando ou punindo. Isso vai servir de critério para a criança continuar a imitação ou não, já que, como seres sociais, necessitamos nos sentir aceitos no meio em que vivemos.

Esse comportamento continua durante a vida adulta. Asch, em 1951, fez um experimento

onde indivíduos deveriam fazer um teste de percepção. A eles eram apresentados pares de cartelas: a primeira tinha uma linha desenhada e, a segunda, três linhas diferentes. Eles deveriam identificar qual das três linhas era idêntica à da primeira cartela.

O grupo era formado de oito pessoas, sendo que sete eram atores que sabiam do

experimento. Apenas um indivíduo era um participante "real", e acreditava que os demais também o eram.

No começo do experimento todos respondem corretamente (a resposta era sempre muito

óbvia para todos os pares de cartelas), mas á medida que o experimento prosseguia, os “atores" começaram a dar respostas erradas e iguais entre os sete. O participante “real” inicialmente persistia em sua resposta e não entendia como o grupo podia errar, mas a medida que, a cada nova rodada, todos davam a mesma resposta errada, e obviamente diferente da dele, ele começa a ceder e a concordar com o grupo, mesmo quando claramente todos estavam errados e ele certo. No inicio essa concordância é tímida, mas no final ele repete as respostas erradas com convicção.

Somos seres naturalmente curiosos e não temos medo de correr riscos. Se assim fosse, o

homem não teria se aventurado pelos oceanos em frágeis barcos de madeira, não teríamos ido à Lua e a penicilina não teria sido inventada (Fleming injetava em si mesmo o produto que, acreditava, mataria micro-organismos patogênicos).

Comportamentos seguros surgem por aprendizado. E comportamentos aprendidos na

infância tem mais força do que aqueles aprendidos depois de adultos. Como nossas escolas não nos ensinam a nos comportar de forma segura, sobra apenas a genética que, nesse caso, não é a melhor professora porque não temos naturalmente medo de tudo que possa nos ferir. Aliás, se tivéssemos, sequer sairíamos de nossas casas.

Como não aprendemos quando somos crianças, resta aprender apenas quando nos

tornamos adultos, começamos a trabalhar e nos é exigido usar capacetes, luvas ou óculos de segurança. Mas esse aprendizado é frágil porque não foi aprendido na infância e tende facilmente a se perder se não for exigido e reforçado diariamente até que passe a ser percebido como natural no dia-a-dia do indivíduo, Nesse momento temos consolidada o que se conhece como Cultura de Segurança, que é facilmente percebida, por exemplo, nas corridas de automóvel. Uma cultura que ficou tão forte que os EPIs dos corredores são vistos com glamour e se tornou impensável um corredor sem capacete e macacão à prova de fogo. Sem trocadilho, não existe, na Formula 1, a coisa “só vou ali rapidinho e não precisa usar capacete”.

Se uma organização diz exigir o uso de EPIs, mas o líder não os usa em cem porcento das vezes em que deveria utilizar, seus colaboradores também não vão usar.

Se o líder prioriza a produção sobre a segurança, seus colaboradores vão priorizar a

produção sobre a segurança.

Se o líder elogia alguém que “quebrou um galho” e conseguiu colocar uma máquina

emergencialmente para funcionar, mesmo ao custo da Segurança, os colaboradores vão sempre “quebrar o galho” mesmo que isso represente riscos.

Nosso comportamento é moldado pela imitação de figuras de autoridade. Isso é humano e inevitável. Um grupo cujo líder valoriza a Segurança terá com certeza uma equipe que vai se comportar de forma segura.

Infelizmente, o oposto também é verdadeiro.

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